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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

RENATO TEIXEIRA NA 28ª NOITE CULTURAL T-BONE

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Renato Teixeira é a principal atração da 28ª Noite Cultural T-Bone, no dia 16


No próximo dia 16, o Açougue Cultural T-Bone, com o patrocínio da Petrobras, realizará a 28ª edição de um dos eventos de rua mais conhecidos de Brasília: as Noites Culturais T-Bone. Desta vez, quem sobe ao palco do açougue é o cantor Renato Teixeira e banda.  O artista é o compositor de “Amanheceu, peguei a viola”, “Tocando em Frente”, “Romaria”, entre outras que o consagrou nesses 40 anos de estrada. A noite terá a participação da banda brasiliense Casa Branca e apresentação de Miquéias Paz.
Noite Cultural
A primeira edição do projeto foi realizada em 1998, dentro do açougue e contou com a presença de aproximadamente 30 pessoas. Desde então, mais de 150 mil pessoas já passaram pela comercial da 312 Norte, numa celebração à arte.

Idealizada pelo açougueiro e agitador cultural Luiz Amorim, a Noite Cultural T-Bone, é realizada duas vezes por ano nos meses de maio e setembro. O projeto já trouxe a Brasília nomes de destaque do showbiz nacional, entre os quais, Erasmo Carlos, Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Chico César, Flávio Venturini, Banda Blitz, Zélia Duncan, além de artistas da cidade que também têm espaço na programação. É uma noite única e gratuita que integra pessoas de todas as classes sociais e de todas as idades.

Renato Teixeira
Compositor de “Amanheceu, peguei a viola”, “Tocando em Frente”, em parceria com Almir Sater, e “Romaria”, RENATO TEIXEIRA faz parte de um grupo de músicos que todos nós já ouvimos muito. Em sua história estão composições que se eternizaram não apenas em sua voz, mas em outras grandes vozes do cenário musical brasileiro.

Algo importante para entender a sonoridade de Renato Teixeira é o conceito folk. Vindo do folk talk, a definição vem da palavra “povo” e do significado de “folclore”, ou seja, histórias que representam um determinado grupo, ou, um povo - e que mexem com os nossos sentimentos mais profundos. Bod Dylan, Woody Guthrie, Pete Seeger, Leon Gieco e tantos outros nomes representam o folk internacional. Aqui no Brasil, embora não estejamos acostumados com a definição, também temos diversos nomes do estilo. Renato Teixeira e Almir Sater são alguns dos que podem ser citados com destaque. A música de Renato Teixeira, portanto, não se trata de música raiz, nem de música regional ou caipira. Essas influências existem sim, mas se colocam na base histórica.

O que Renato Teixeira projeta em seu trabalho é a uma leitura que agrega valores contemporâneos e, assim, se credencia a dar seqüência ao gênero música caipira que se concretizou na primeira metade do século XX. Até completar seu ciclo no final dos anos 60. Uma prova disso é a participação de Pena Branca em seu trabalho, amigo de velhos anos, e que traz à lembrança de muitos Quando o amor de vai, canção que com certeza não faz parte da lembrança daqueles que têm menos de 25 anos, mas, que da mesma forma os envolve. Ela traz a esfera de familiaridade e “deja vu” de épocas remotas de nossas vidas, onde muitos acontecimentos e pessoas já estavam esquecidos.
Poesia e romantismo estão presentes na participação de Joanna em Recado, que traz o clima de namorinho de portão e remete aos tempos dos amores ingênuos e juvenis.
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Banda Casa Branca

A banda CASA BRANCA surgiu em junho de 2008, na reunião de colegas de classe da Escola de Música de Brasília. Após tocarem em uma apresentação de um evento cultural do colégio CEF Polivalente, na Asa Sul, os amigos Walle, Ronald e Rômullo, viram que o potencial era grande e que o objetivo era um: fazer música dançante e de qualidade.
Hoje, com 2 festivais,  3 premiações e o título de ‘Banda Educacionista do Distrito Federal’, Casa Branca tem como objetivo levar uma mensagem de positividade, resgatando valores como amizade, respeito, moral e ética, atingindo um público jovem, cativo e buscando evolução para a ascensão no mercado musical. Com influências de funk, reggae, rock, mpb e jazz.

Patrocínio:
Petrobras

Apoio:
Secretaria de Cultura do GDF
Sindjus
Vestconcursos
Boulevard Shopping Brasília
Apresentação: Miquéias Paz
SERVIÇO: 28ª Noite Cultural T-Bone
Local:  comercial da 312 Norte
Endereço: SCLN 312 Bl B Lj 27 Brasília-DF
Telefones: 61 3274-1665 / 61 8432-3669 (Francisca Azevedo – Assessora de Imprensa)
Data: 16 de setembro 2010
Classificação etária: Livre
Horário: 19 horas

ENTRADA GRATUITA!
Assessoria de Imprensa Renato Teixeira:  (11) 2183-8383 (Luisa)
Banda Casa Branca: 61 9636 3490 / 9995 5031 (Walle)


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ação contra propagandas de cervejas ganha aliados

Entidades da sociedade civil são aceitas como assistentes do Ministério Público Federal em Ação Civil Pública que pede indenização contra as cervejarias pelo excesso de publicidade.

Fonte: Intervozes

O Instituto Alana, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o Intervozes e a Comunicação e Cultura foram aceitos como assistentes do Ministério Público Federal (MPF) em uma Ação Civil Pública contra as cervejarias Ambev, Schincariol e Femsa. No processo, o MPF pede indenização de R$ 2,75 bilhões por danos causados à sociedade brasileira em decorrência do excessivo uso de publicidade de cerveja e chopp.

Com base em um ano de pesquisas, o MPF ajuizou em 2007 uma Ação Civil Pública contra as empresas de cerveja e chopp por utilizarem grande quantidade de publicidade para aumentar o consumo. “A importância da ação é enorme na medida em que todas as entidades poderão apresentar subsídios a dar força à tese apresentada pelo Ministério Público Federal, demonstrando ao Poder Judiciário como são graves as conseqüências advindas também da publicidade de cervejas que é vista por crianças e jovens de todo o país”, diz Isabella Henriques, do Instituto Alana.

O responsável pela ação e procurador da República, Fernando Lacerda Dias, levantou que, apenas em 2007, as três empresas responsáveis por 90% do mercado cervejeiro nacional investiram quase 1 bilhão de reais em publicidade para aumentar a venda de seus produtos. Segundo a pesquisa do Grupo de Mídia São Paulo, a Ambev gastou, apenas no ano passado, R$ 914,6 milhões em publicidade.

Conseqüência disso é o constante aumento do uso de bebidas alcoólicas pela população brasileira. Segundo o portal www.saude.gov.br, o consumo abusivo de álcool (cinco ou mais doses) cresceu de 16,4% em 2006 para 18,9% em 2009. Os mais afetados foram os jovens de 18 a 24 anos, que aumentaram o consumo abusivo em 23%.

A Constituição Federal já prevê regras para a propaganda de bebidas alcoólicas, mas para Bia Barbosa, do Intervozes, o lobby das cervejarias garantiu uma classificação diferenciada para as cervejas, liberando totalmente este tipo de comercial no rádio e na TV. A Lei 9.294 proíbe a publicidade de bebidas alcoólicas acima de 13 graus de teor alcoólico durante o horário nobre. A cerveja, no entanto, está fora dessa regulamentação. “Esperamos que a ação seja vitoriosa, de forma a garantir uma nova regulação para o setor e a proteção da nossa juventude", afirma Bia.

Leia aqui a íntegra da ACP nº 2008.61.03.007791-6


Texto de Jeronimo Calorio

domingo, 12 de setembro de 2010

Em cena, mulher

12. set, 2010 por blog tolisomasvou.blogspot.com

E também chega ao fim no domingão a segunda edição do Festival Mulher em Cena, organizado pela ONG Arcana. O festival apresenta desde quarta-feira trabalhos que abordam o universo do ser feminino, para valorizar a expressão artística das mulheres atendidas pela Organização.

No espaço que integra todas as atividades, ainda tem realização de brechós - o quê mais tem pra hoje, não nos perguntem: a gente também foi pego de calça baixa com relação ao evento! :p

Programação

17h – Teatro – Bonequinha de Pano (TO), no foyer** da Sala Martins Pena

18h – Show – Quésia Carvalho e Mara Rita (TO), no foyer da Sala Martins Pena

20h – Show – Alessandra Leão (PE), na sala Martins Pena*

21h – Teatro – A saia de Pandora (DF), no foyer da Sala Martins Pena

O quê: 2º Festival Mulher em Cena

Onde: Teatro Nacional Cláudio Santoro – Setor Cultural Norte

Quando: Hoje, 12 de setembro, a partir das 15h

Quanto custa: Entrada franca*

Telefone: (61) 9280-5341 // (61) 3325-6239 // (61) 3325-6256

*Para assistir às atrações dentro da Sala Martins Pena, o ingreso deve ser trocado por um pacote de absorvente íntimo descartável, que será doado para as mulheres atendidas pela ONG Arcana, responsável pelo Festival, e por outras instituições do DF.

** Foyer da Sala Martins Pena/Espaço de convivência

Saiba mais: Festival Mulher em Cena

sábado, 11 de setembro de 2010

Memórias de 11 de setembro: 1973 x 2001

Por Fernando Fileno
Do Laboratório de Ensino e Material Didático História USP


Ficha Técnica
Gênero: Documentário
Ano de lançamento (Reino Unido): 2002
Duração: 11 min
Direção: Ken Loach

Leia também
Uma homenagem a Victor Jara e à Revolução no Chile 

Chile - 11 de setembro de 1973




Fonte: http://www.mst.org.br/

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sessentona e desregulada


Por Venício A. de Lima em 7/9/2010


Fonte: Carta Maior

Setembro é o mês de aniversário da televisão no Brasil e 2010 marca os seus 60 anos. Uma idade respeitável, sem dúvida. Ao lado das celebrações, devemos aproveitar o calendário e fazer alguns rápidos registros sobre essa instituição formidável que alcançou importância única em nossa sociedade.
O que de relevante tem acontecido com a televisão brasileira nos últimos anos?

Certamente, ela já viveu melhores dias. Aos 60 anos, há uma significativa queda na sua audiência média – conseqüência, dentre outras causas, das profundas mudanças provocadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Esse, por óbvio, não é um problema exclusivamente brasileiro. Entre nós, permanece, há décadas, a liderança da mesma rede, embora seus principais programas e gêneros não alcancem mais as incríveis audiências que tiveram no passado.
Há algum tempo, merece destaque no setor a passagem do sistema analógico para o digital. A decisão sobre qual o modelo de TV digital seria adotado no país sofreu uma guinada de 180 graus entre 2003 e 2006 e a opção pelo modelo japonês, que privilegia a mobilidade e a qualidade da imagem em detrimento da abertura para novos concessionários, acabou prevalecendo. Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que contestava a constitucionalidade da decisão foi recentemente julgada improcedente pelo STF (ver, neste Observatório, "STF confirma ‘erro histórico’").
Atraso de décadasUm importante avanço, sem dúvida, foi a criação da primeira experiência de TV pública no país – a TV Brasil da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007. Embora previsto no artigo 223 da Constituição de 1988 para ser complementar aos sistemas privado e estatal de radiodifusão, não havia, até então, sequer uma positivação legal do que seria um sistema público de televisão. Apesar de enfrentar a sistemática e impiedosa hostilidade do sistema privado comercial dominante e de seus aliados na mídia impressa, a TV pública vai aos poucos se consolidando e, espera-se, possa, no médio prazo, se transformar em referência de qualidade para a televisão brasileira.
Há, no entanto, uma área em que continuamos onde sempre estivemos: a regulação do exercício da atividade televisiva.
A procuradora Vera Nusdeo, em belo capítulo intitulado "A lei da selva", no livro organizado pelo jornalista e professor Eugênio Bucci [A TV aos 50, Criticando a Televisão Brasileira no seu Cinqüentenário, Editora da Fundação Perseu Abramo], escreveu:

"Entre nós, a legislação não contribui para formar uma mentalidade, tanto do público como dos concessionários de televisão, baseada no direito à informação do primeiro e na obrigação dos segundos de prestar um serviço de qualidade, respeitando os valores éticos e sociais e não apenas atendendo aos interesses dos anunciantes. Comparada à legislação de outros países, a brasileira é de um laconismo que reflete com perfeição a falta de consciência da relevância do meio televisivo no mundo contemporâneo e, consequentemente, a responsabilidade social subjacente ao exercício dessa atividade".Dez anos depois, a mesma avaliação pode ser feita, agora com uma agravante: apesar da sua óbvia necessidade, das propostas da 1ª Confecom e de seu atraso de seis décadas (o Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962!), não há sinais convincentes de que algum tipo de regulação do exercício da atividade televisiva esteja a caminho, pelo menos no médio prazo.
Sem regulaçãoHá poucas semanas comentei neste Observatório que o presidente Lula havia assinado decreto criando uma comissão interministerial para "elaborar estudos e apresentar propostas de revisão do marco regulatório da organização e exploração dos serviços de telecomunicações e de radiofusão" (ver "Dezesseis anos, três decretos e nada muda").

Apesar de o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), haver declarado, à época, que "a idéia é deixar para o próximo governo propostas que permitam avançar numa área crucial e enfrentar os desafios e oportunidades abertos pela era digital na comunicação e pela convergência de mídias", circulou a informação de que o próprio presidente Lula queria enviar ao Congresso Nacional, ainda em seu governo, a proposta de marco regulatório.
Todavia, a serem verdadeiras as últimas notícias divulgadas na grande mídia sobre o assunto, "o governo desistiu de encaminhar ao Congresso Nacional, logo após as eleições, projeto de nova regulamentação das comunicações no país (...) isso, será uma tarefa do próximo governo". (cf. Luiz Carlos Azedo, "Brasília DF", Correio Braziliense, 5/9/2010, pág. 7).
Como bem disse a procuradora Vera Nusdeo, dez anos atrás, no capítulo já citado:
"No Brasil, o Estado se limita ao seu papel de conceder canais. Fora isso, o que impera, desde sempre, é a total falta de regulamentação [da atividade televisiva], talvez por medo de que qualquer discussão sobre o assunto possa dar a impressão de censura e obscurantismo."A televisão brasileira chega, portanto, aos seus 60 anos, da mesma forma que tem estado em praticamente toda a sua história: sem um marco regulatório que discipline sua atividade.

Convenhamos, essa não é uma condição a ser celebrada.

Plebiscito pelo limite de terra continua até o próximo dia 12

por Assessoria de Comunicação FNRA


A decisão foi tomada devido à grande procura da população para participar do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade de Terra, que começou em todo Brasil na última quarta-feira, dia 1º de setembro.

Com o feriado prolongado de 7 de setembro, várias escolas e universidades que estão com comitês formados para a votação vão continuar com o plebiscito popular. Além disso, paróquias também vão realizar grandes manifestações no fim de semana para chamar suas comunidades a aderirem à Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra.
Os estados confirmados para a prorrogação são: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso, Tocantins, Amazonas, Pará, Bahia, Paraíba, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraná, Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. O estado do Rio de Janeiro continua com a votação até a próxima sexta-feira, dia 10.
O abaixo-assinado, que circulou junto com a votação, continua em todo país até o final deste ano. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para que seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.
Já o plebiscito popular, além de consultar a população sobre a necessidade de se estabelecer um limite máximo à propriedade da terra, tem a tarefa de ser, fundamentalmente, um importante processo pedagógico de formação e conscientização do povo brasileiro sobre a realidade agrária do nosso país e de debater sobre qual projeto defendemos para o povo brasileiro. Além disso, o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade de Terra veio como um instrumento para pautar a sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de se realizar uma reforma agrária justa em nosso país.
Além das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com o apoio oficial das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Grito dos Excluídos faz manifestação paralela ao desfile oficial

Agência Brasil

BRASÍLIA - O 16º Grito dos Excluídos fez uma passeata paralela ao desfile do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O tema foi Onde Estão os Nossos Direitos? Vamos às Ruas Para Construir um Projeto Popular. A estimativa da organização do evento é que mil pessoas tenham participado da passeata.
  De acordo com o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Edson Francisco da Silva, um dos focos da manifestação é a defesa da moradia, da distribuição de terra e do emprego. “Os empresários têm muita terra, o governo também e vai tudo para as empresas”, disse.
  Movimentos estudantis e pastorais sociais ligados à Igreja Católica também marcaram presença na marcha, que seguiu até o Congresso Nacional.
12:15 - 07/09/2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Debora Guerner é acusada por Arruda de receber propina de Joaquim Roriz

Mantida no cargo pelo CNMP, a promotora de Justiça Debora Guerner está mais uma vez em evidência. Agora acusada pelo ex-governador Arruda. Em depoimento ao MPF, Arruda declarou  que a promotora do MPDFT teria recebido três parcelas de R$ 800 mil reais para não denunciar Joaquim Roriz à Justiça.  

Arruda tem quase certeza que Roriz é o responsável pelas gravações que o derrubou e agora está tentando dar o troco. 

Esperamos que o MPF apure rapidamente as denúncias e afaste a promotora o quanto antes. 

Abaixo segue a íntegra da reportagem da revista Época. 




Foto: Correio Braziliense





Exclusivo: Arruda acusa Joaquim Roriz de pagar propina ao MP

Em depoimento a procuradores, o ex-governador do Distrito Federal acusa o ex-padrinho Joaquim Roriz de pagar propina ao Ministério Público
ANDREI MEIRELES
Na terça-feira passada, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda resolveu se arriscar num teste de popularidade no centro de Brasília. Arruda andava recluso desde que saiu da cadeia, em abril, depois de passar dois meses na prisão e perder o mandato em decorrência da divulgação de um vídeo em que aparecia recebendo dinheiro de uma suposta propina. Nas ruas da capital, ele até se saiu bem. Não foi hostilizado e recebeu cumprimentos de alguns populares. Animado com a receptividade, Arruda conversou com ÉPOCA. Disse ter prestado um depoimento a procuradores da República com revelações sobre o Ministério Público do Distrito Federal e o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) – líder, segundo as pesquisas, na atual corrida pelo governo do Distrito Federal.


DESAFETOS 
Joaquim Roriz (à esq.) tenta se eleger governador mais uma vez. José Roberto Arruda (à dir.) voltou a circular por Brasília
ÉPOCA teve acesso ao depoimento de Arruda. No dia 2 de julho, ele contou aos investigadores uma história bombástica. Segundo Arruda, o ex-governador Joaquim Roriz teria pagado propina para não ser denunciado à Justiça. Em 2007, Roriz foi flagrado em conversas telefônicas em que acertava o recebimento de dinheiro suspeito. As conversas foram grampeadas com autorização judicial em meio à Operação Aquarela, em que a Polícia Civil de Brasília investigou denúncias de fraudes em operações do Banco de Brasília (BrB). Em seguida à divulgação do grampo Roriz renunciou ao mandato de senador. Apesar de todas as evidências, o Ministério Público do Distrito Federal só ajuizou uma ação por improbidade administrativa contra Roriz em abril deste ano, três anos depois da renúncia.Uma possível razão para essa demora pode estar no depoimento de Arruda. Segundo Arruda, em julho do ano passado a promotora de Justiça Deborah Guerner lhe relatou ter recebido de Roriz três parcelas no valor de R$ 800 mil cada uma como pagamento para o Ministério Público não ajuizar ação contra o ex-governador. Roriz nega: “Isso não é verdade. Não paguei propina e sequer fui formalmente investigado”.

Arruda foi afilhado político de Roriz. Hoje, eles são desafetos. Arruda desconfia de que Roriz está por trás das denúncias que o tiraram do poder e o levaram para a cadeia. Arruda poderia ter inventado essa história apenas para prejudicar Roriz? Sim. Mas outros documentos reforçam sua versão. Um deles foi um depoimento prestado ao Ministério Público Federal por Durval Barbosa – operador de esquemas de corrupção nos governos Roriz e Arruda e delator do escândalo desencadeado pela divulgação dos vídeos em que os políticos de Brasília recebem dinheiro supostamente ilegal. No depoimento, Durval afirmou que foi procurado por Deborah Guerner e por seu marido, Jorge Guerner, para ajudá-los a receber R$ 800 mil de Joaquim Roriz. Seria mais uma parcela de um total de R$ 4 milhões que teria sido acertado para que Roriz não fosse processado por causa da Operação Aquarela.

Segundo Arruda, promotora lhe disse que Roriz 
pagou propina para não ser denunciado à Justiça
O MPF investiga também uma denúncia feita por Durval Barbosa em que ele diz que Arruda pagou R$ 150 mil por mês a Deborah Guerner e ao ex-procurador-geral de Justiça Leonardo Bandarra para favorecer empresas contratadas pelo governo de Brasília para a coleta de lixo. Em seu depoimento aos procuradores da República, Arruda afirmou também que foi chantageado por Deborah para favorecer uma empresa excluída de um contrato de coleta de lixo. Deborah teria exigido que essa empresa fosse contratada para a prestação de outros serviços para o governo do Distrito Federal. Diz Arruda no depoimento: “Que Deborah Guerner subiu o tom das ameaças, afirmando: ‘Então o senhor vai ver suas imagens na televisão e nenhuma explicação sua será capaz de amenizar o impacto’”. Deborah Guerner confirmou que esteve com Arruda na residência oficial do governador do Distrito Federal. “Estive lá, sim. Mas não vou falar sobre o que conversamos.” A promotora se negou também a comentar a denúncia de que teria chantageado Arruda e recebido propina de Roriz.

ÉPOCA apurou que o encontro entre Arruda e Deborah teria ocorrido no dia 10 de julho do ano passado. Os preparativos para a reunião foram gravados em vídeo por Deborah. Ela gravou também um telefonema para o então vice-governador, Paulo Octávio Pereira, em que pediu ajuda para marcar a reunião com Arruda. Deborah registrou também uma conversa com Leonardo Bandarra, em que pediu orientação sobre como deveria se comportar com Arruda. Bandarra teria aconselhado a promotora a simular um ataque de nervos caso o governador se negasse a atender à exigência. Ela, aparentemente, teria seguido a recomendação. “No encontro, Deborah Guerner transitou entre irritação e destempero”, descreveu Arruda em seu depoimento aos procuradores. Bandarra nega que sabia da reunião entre Arruda e Deborah Guerner. Também desmente interferência nas investigações da Operação Aquarela.

As gravações feitas por Deborah foram registradas por um sistema interno de câmeras com sensores infravermelhos, instalados em três ambientes em sua casa, capazes de registrar até imagens no escuro. São milhares de horas de gravação que foram apreendidos pela Polícia Federal. Antes Deborah havia dito que sua casa era um verdadeiro big brother. Na semana passada, ela foi irônica ao comentar o fato. “Com tudo isso, é um serviço e tanto que tenho prestado à Justiça”, disse.

Saiba mais
»Arruda reaparece em público
Em seu depoimento, Arruda afirmou também que relatou as ameaças de Deborah ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa, num encontro em que teria denunciado uma parceria entre a promotora e o delator Durval Barbosa. No encontro, segundo Arruda, Corrêa teria lhe prometido acompanhar o caso e também lhe dado um conselho para não demitir Durval. “Esse encontro simplesmente não aconteceu. Nunca falei com o governador sobre esse assunto”, disse Corrêa.

O depoimento de Arruda é importante porque adiciona à investigação sobre o esquema de corrupção em Brasília as informações de quem comandava toda a máquina administrativa do Distrito Federal, inclusive a Polícia Civil. Essas informações aparecem num momento em que a disputa eleitoral entre Roriz e o candidato do PT ao governo de Brasília, Agnelo Queiroz, entra na fase final. Alijado do poder, Arruda continua a ser personagem fundamental na política de Brasília.